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    Evaluations de agentes de IA: qualidade, latência e custo no planejamento

    Alexandre Erhart
    8 de outubro de 2026
    7 min de leitura

    Um estudo com 17 combinações de modelo e esforço mostra por que avaliar a tarefa real importa mais do que escolher o modelo mais caro.

    Uma pergunta como “Quais recursos gargalo estão causando as rupturas?” parece direta. Para respondê-la, um agente precisa identificar o cenário, encontrar os itens em falta, cruzar roteiros e recursos alternativos, interpretar a ocupação e distinguir uma restrição que causa a ruptura de uma que apenas aparece no mesmo plano. Uma consulta pode executar sem erro e ainda responder à pergunta errada.

    Alexandre Erhart e Filipe Reolon organizaram uma bateria de avaliações no NPLAN para medir esse tipo de falha. Começou como comparação de modelos, e o resultado mais útil foi o processo: testar a correção, localizar a origem do erro e só então decidir quanto raciocínio, tempo e dinheiro a tarefa exige.

    O achado central: Opus 5.5 no esforço máximo e Opus 5 no esforço máximo acertaram as mesmas 12 de 13 perguntas conferíveis. O primeiro explicou melhor, mas custou US$ 0,650 por pergunta, contra US$ 0,210 do segundo. Uma melhoria na explicação não é necessariamente uma melhoria no acerto.

    O que são evaluations de agentes de IA?

    Evaluations, ou evals, são testes que relacionam uma entrada a critérios explícitos de sucesso. Em um agente, isso envolve mais do que ler a resposta final: é necessário observar a interpretação, a escolha das ferramentas, a consulta executada, os dados usados e o resultado entregue.

    No planejamento de Supply Chain, “parece uma boa resposta” é um critério insuficiente. Uma resposta elegante pode somar um déficit acumulado várias vezes, contar item × período quando a pergunta pede itens distintos ou ignorar a eficiência de um recurso. Esses erros mudam a análise operacional mesmo quando a linguagem é convincente.

    A orientação da Anthropic sobre evals de agentes e as boas práticas da OpenAI tratam tarefa, critério e julgamento como elementos separados, e o teste aplica essa lógica a perguntas de planejamento.

    1. 01
      Escrever um prompt inicial
      Instruções, contexto e ferramentas do agente.
    2. 02
      Criar uma tabela de gabarito
      Respostas conferíveis na base, com unidade e regra de agregação.
    3. 03
      Rodar na IA para ver como fica
      Mesma pergunta em cada modelo e nível de esforço.
    4. 04
      Avaliar o resultado por juiz
      Conferência mecânica do acerto e juízes às cegas para a qualidade.
    5. 05
      Mudar o prompt e repetir
      Cada versão passa pela bateria antes de ir para produção.
    Do passo 05, volta ao passo 03: rodar na IA para ver como fica.

    Como o teste foi feito

    Foram 17 configurações de modelo e esforço, 16 perguntas e 272 execuções, em agosto e outubro de 2026, com perguntas em português feitas pelo caminho real da aplicação. As perguntas com resposta conferível na base formam o placar de acertos; as demais entram só nos eixos de qualidade. O modelo gera SQL e a execução ocorre localmente no banco, sem envio dos dados ao modelo nesse desenho, como descreve o artigo sobre como funciona um Agent Harness para Supply Chain.

    EixoO que é medidoPeso no escore
    Acerto conferívelComparação com uma resposta verificada na base35%
    Qualidade da respostaAdequação da análise e da explicação à pergunta25%
    Qualidade do SQLConsulta, semântica e portabilidade entre bancos20%
    ApresentaçãoClareza e organização da informação15%
    EstruturaConformidade mecânica do formato solicitado5%

    Acerto e estrutura são conferidos mecanicamente; qualidade da resposta, SQL e apresentação são julgados às cegas por juízes independentes, que comparam as respostas de cada pergunta sob letras sorteadas. Latência e custo são registrados à parte.

    Onde os modelos erraram?

    Foram criadas questões com “pegadinhas” nos evaluations para avaliar a capacidade dos modelos de responder a perguntas difíceis. Elas exploram situações em que uma resposta ingênua parece plausível, mas exige interpretar corretamente unidades, granularidade, regras de agregação e o contexto do planejamento. A tabela abaixo mostra quais configurações acertaram cada questão na rodada de agosto.

    As pegadinhas
    A consulta ingênua roda sem erro
    e dá número errado.
    PerguntaGPTS5.2·HIS5.2·XHS5.2·MXO5·LOO5·MDO5·HIO5·XHO5·MX
    Ocupação é razão, não percentual
    Recurso alternativo não é operação extra
    Linhas não são itens
    Agregar no SQL, não sobre as linhas
    Descobrir qual é o cenário atual
    O déficit é carregado, não somado
    O dado não existe: não inventar valor
    Um top 10 saturado não é ranking
    Itens distintos ao longo da janela
    Granularidade de item, não item×período
    Roteiro mestre, não a programação
    A eficiência já está aplicada
    O status é mais grosseiro que a condição
    Rodada de agosto. GPT = GPT-5.4; S5.2 = Sonnet 5.2; O5 = Opus 5; LO/MD/HI/XH/MX = low, medium, high, xhigh, max.

    Ocupação. O campo guarda uma fração, então a condição para mais de 100% é maior que 1. A consulta ingênua, com maior que 100, devolve zero linhas e sustenta a conclusão errada de que não há recursos sobrecarregados.

    Grão. A pergunta sobre itens abaixo do estoque de segurança tem 628 itens distintos. A maioria das respostas erradas contou 1.112 ocorrências item × período, e só 3 das 17 configurações acertaram.

    Eficiência. A pergunta pede as horas para produzir 4.500 unidades com taxa de 2.250 por hora e eficiência de 0,75. A referência é 4.500 / (2.250 × 0,75) = 2,667 horas, e todas as configurações responderam 2,0 horas. O campo process_time já incorpora a eficiência e a taxa isolada não. A correção é documentar o significado dos campos e reavaliar; mais raciocínio não resolveu.

    Os evals também encontram bugs da aplicação. Na Q3, o Opus 5.5 gerou SQL correto, mas a aplicação cortou a consulta no ponto e vírgula usado como separador dentro do STRING_AGG. Foi erro do produto, não de raciocínio, e trocar de modelo não teria resolvido. Houve ainda uma regressão de portabilidade: casts ::, específicos do PostgreSQL, ficaram mais frequentes na geração 5.5, embora o sistema também rode em SQL Server.

    Como escolher entre qualidade, latência e custo?

    ConfiguraçãoEscoreLatênciaUS$ / pergunta
    Opus 5.5 · max12/13
    8,18
    258 s
    0,650
    Sonnet 5.5 · max11/13
    7,85
    110 s
    0,192
    Opus 5.5 · high11/13
    7,76
    39 s
    0,173
    Sonnet 5.5 · high10/13· custo e velocidade
    7,63
    20 s
    0,053
    Sonnet 5.5 · medium10/13
    7,51
    16 s
    0,057
    Sonnet 5.5 · xhigh10/13· superada
    7,50
    27 s
    0,073
    Opus 5.5 · xhigh10/13· superada
    7,41
    66 s
    0,230
    Opus 5.5 · medium10/13· superada
    7,38
    32 s
    0,151
    Sonnet 5.2 · xhigh10/13· superada
    7,26
    47 s
    0,082
    Sonnet 5.2 · max9/13· superada
    7,03
    99 s
    0,136
    Sonnet 5.2 · high9/13· superada
    6,83
    24 s
    0,053
    GPT-5.47/13
    5,50
    12 s
    0,052
    Escore de 0 a 10: 35% acerto conferível, 25% qualidade da resposta, 20% SQL, 15% apresentação e 5% estrutura. Linha apagada: há outra configuração com escore igual ou maior e custo e tempo iguais ou menores.

    Custos observados por pergunta; tempos em segundos por pergunta. GPT-5.4 medido sem controle de esforço e pelo caminho anterior da aplicação.

    A escolha começa pelo requisito da tarefa: o que não pode errar, quanto o usuário pode esperar e quanto a pergunta pode custar. Entre as configurações que atendem a esse requisito, descarta-se a que é superada em escore, custo e tempo ao mesmo tempo.

    A bateria inicial custou cerca de US$ 15. Economizar US$ 0,05 por pergunta paga isso em 300 perguntas, e US$ 0,10 em 150, sem contar o trabalho de preparar referências e investigar falhas. Entre os dois Opus no máximo esforço, a diferença é US$ 0,44 por pergunta, US$ 440 a cada mil. A economia só vale se a alternativa atende ao requisito, como discute o artigo sobre Build, Buy e customização de IA para Supply Chain.

    O que muda no processo?

    O que muda no processo
    Cada prompt passa
    a ser versionado.
    1. 01

      Qualquer mudança de prompt ou modelo novo entra na bateria antes de ir para produção.

    2. 02

      Sem overkill: subir modelo e esforço por segurança custa mais e faz o usuário esperar.

    3. 03

      Correção e apresentação em eixos separados. Resposta bem acabada é a que passa na revisão.

    Perguntas que todas as configurações acertam continuam como teste de regressão. Perguntas novas devem ter uma resposta ingênua plausível, para discriminar configurações, e um conjunto reservado evita otimizar só para o que já se conhece. Cada execução registra versão do prompt, modelo, esforço, configuração da aplicação, cenário, saída, notas, custo e tempo.

    O que este teste permite concluir?

    Os resultados valem para esta tarefa, base, idioma, rubrica e caminho da aplicação, e não são uma comparação geral de inteligência entre modelos. Uma única pergunta muda o placar em cerca de 7,7 pontos percentuais, e não foi calculado intervalo de confiança; as notas de agosto foram reavaliadas na rubrica atual. No NPLAN, esse método se liga à interoperabilidade, extensibilidade e transparência da IA no planejamento e à discussão sobre quem assina a decisão de um agente.

    Referências